Salla Tykk uma artista finlandesa nascida na cidade de Helsnquia em 1973, que tem vindo a desenvolver um percurso singular entre a fotografia, o vdeo e o cinema, e cuja obra j aclamada a nvel internacional. Insere-se numa gerao de artistas nrdicos cujo trabalho, fortemente influenciado pelo imaginrio da televiso e da msica Pop, reflecte sobre o papel da mulher e do homem na sociedade e na cultura contemporneas. O seu percurso artstico iniciou-se em 1996 mas foi em 2001, com a apresentao do seu vdeo "Lasso" na Bienal de Veneza, que Salla Tykk deu inicio a um percurso internacional relevante. Desde ento, a artista tem vindo a desenvolver um conjunto de filmes realizados em pelcula 35mm e posteriormente convertidos em vdeo para apresentao em contexto expositivo. Neles, prope um olhar marcadamente feminino sobre o papel do homem e da mulher na sociedade actual, que reflecte sobre alguns dos cdigos masculinos que povoam a cultura popular, nomeadamente alguns gneros cinematogrficos como o "Western", a "SCI-FI", ou os "Thrillers", que influenciaram a sua gerao. A obra de Salla Tykk utiliza referncias cinematogrficas num contexto expositivo, de um modo que contrasta com algumas tendncias dominantes da introduo do universo cinematogrfico no espao de galeria ou museu, por parte de inmeros artistas contemporneos. Ao contrrio de algumas tendncias que remetem para um referencial de desconstruo do imaginrio e linguagem do cinema, a obra de Tykk, encoraja o observador a explorar as possibilidades de uma identificao imaginria e fantasista a que um filme pode levar o seu espectador. A artista transportam-nos para fora do tempo da aco, no como um conceito abstracto de tempo mecnico, mas antes criando uma viso espacial do tempo e uma temporizao do espao, levando o observador a um transporte imaginativo dinmico para o suspense de uma testemunha pulsional. O observador sente-se ele mesmo como um corpo suspenso no tempo que, afinal, o mais importante elemento que Salla Tykk introduz no espao das suas instalaes vdeo. Paralelamente apresentado um vdeo de forte carcter autobiogrfico, "Power" (1999), onde a artista apresenta um conjunto de metforas visuais que expressam a vulnerabilidade fsica e emocional de uma adolescente. No filme vemos um pai e uma filha que lutam violentamente num ringue de boxe. A cena filmada a preto e branco, numa espcie de bailado em "slow motion", e os intervenientes dessa luta so a artista e um "boxeur" profissional. Hoje, tendo em conta o percurso da artista a nvel internacional que se traduz pela sua representatividade em importantes exposies e galerias de todo o mundo e pela sua incluso em algumas importantes coleces como a do Centre Georges Pompidou em Paris, entendemos dar espao apresentao da sua obra no contexto nacional, sobretudo porque se trata de uma artista pouco conhecida no nosso pas e que explora de uma forma muito particular a linguagem cinematogrfica e particularmente os cdigos visuais e sonoros do cinema. Desde 2003, o Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema, tem vindo a mostrar o trabalho de Salla Tykk. Os filmes "Cave" (2003) e "Zoo" (2006), foram apresentados em competio, nos festivais de 2004 e 2006, respectivamente, e em 2007, a artista regressou a Vila do Conde para integrar a exposio Under Hitchcock. A partir destas colaboraes foi iniciado um trabalho de preparao que visou a concretizao da primeira exposio individual dedicada artista no nosso pas. A exposio Salla Tykk inaugura no ms de Julho, na Solar - Galeria de Arte Cinemtica em Vila do Conde, integrada na programao do 17 Curtas Vila do Conde. Contempla a apresentao da triologia de vdeos "Lasso", "Cave" e "Thriller", consagrados passagem de uma jovem adolescente idade adulta. Um conjunto de instalaes vdeo que reflectem sobre os momentos de transformao emocional e fsica de uma rapariga, numa combinao destes com paisagens naturais, a arquitectura e reas suburbanas. Neles so apresentadas situaes intencionalmente ambguas, que contm uma carga emocional e sexual muito forte, e que utilizam elementos do imaginrio do cinema para acentuar essa tenso. Cada um dos trabalhos utiliza uma diferente banda sonora extrada de filmes e gneros cinematogrficos que povoam maioritariamente o universo masculino. Em "Lasso" ouvimos a msica do "western" de Srgio Leone, "Era uma Vez no Oeste"; em "Thriller" utiliza a banda sonora de "Halloween", de John Carpenter - 1978; e em "Cave", a ambencia dos filmes de Fico Cientfica atravs do universo sonoro de Brian Eno.
Nuno Rodrigues

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