Imaginary film sets - after Swimming Pool (2003), by François Ozon, Carlos Lobo, 2007

Imaginary film sets - after Swimming Pool (2003), by François Ozon, Carlos Lobo, 2007

Imaginary film sets - after Crash (1996), by David Cronemberg, Carlos Lobo, 2007

Imaginary film sets - after Crash (1996), by David Cronemberg, Carlos Lobo, 2007

Imaginary film sets - after Paris Texas (1984), by Wim Wenders, Carlos Lobo, 2007

Imaginary film sets - after Paris Texas (1984), by Wim Wenders, Carlos Lobo, 2007

Imaginary film sets

Este meu novo projecto foi criado especificamente para o Solar, Galeria de arte Cinemática, e obedeceu a algumas premissas de orientação do projecto Solar. Um dos requisitos fundamentais ou ideais era a ligação do projecto à temática do cinema. Não se pretendia uma exposição de trabalhos já realizados ou exibidos, mas sim o desafio de criar um corpo novo de trabalho para a instalação no espaço do Solar de S. Roque. Um dos projectos a expor intitula-se Imaginary film sets, e é composto por 5 imagens fotográficas que, como o nome indica, remetem para cenários de filmes. O ponto de partida desta série era a criação de imagens que tivessem um ambiente cinematográfico, ambiente esse que pudesse de alguma forma remeter para o nosso arquivo visual de filmes. A partir de um exercício de memória, as fotografias apresentadas fornecem-nos alguns signos indiciais que nos permitem identificar determinadas cenas de filmes. No entanto, estes signos apenas nos fornecem pistas e meras hipóteses para cenários possíveis desses filmes. Uma vez que se tratam de cenários hipotéticos, a identificação dos filmes fornece ao espectador um índice, a partir do qual este pode construir ou recordar a acção passada nestes cenários. Trata-se de um jogo de memória. Mesmo desconhecendo os filmes referenciados, as imagens permitem ao espectador criar a sua própria narrativa e interpretação dos espaços físicos apresentados. A escolha dos filmes resulta da minha paixão pelo cinema e pelo trabalho de determinados autores, assim como também a minha formação académica em audiovisuais. A minha prática fotográfica é fortemente influenciada pela linguagem cinematográfica, quer nos enquadramentos e composição das imagens, quer pelas temáticas dos trabalhos. A relação entre a fotografia e o cinema é uma relação de forte cumplicidade e são vários os realizadores que se servem de fontes da fotografia (Wim Wenders e a influência de fotógrafos como Walker Evans e William Eggleston no seu trabalho, por exemplo) e vice-versa. A série Imaginary film sets é o resultado dessa cumplicidade. Carlos Lobo
 

One need not fear about the future of music: silent piece (for Cage)

O segundo trabalho que pretendo apresentar é uma dupla instalação vídeo. Um dos ecrãs mostra-nos os movimentos corporais de um executante de música clássica ao piano. Esta peça não tem qualquer som e no segundo ecrã é-nos apresentado um plano fechado de duas pessoas que assistem a essa performance. Se atentarmos na pessoa no primeiro plano da imagem, podemos constatar que essa pessoa tem um aparelho auditivo, sinal de dificuldade na audição da peça. O facto de a peça não ter som remete não só para os princípios do cinema (em que os filmes eram musicados em tempo real nas salas do cinema) mas também para a peça 4’33” de John Cage, daí o título do trabalho. Carlos Lobo

João Leal, Endless, 2007

João Leal, Endless, 2007

Endless

Nesta série, e em jeito de homenagem ao filme “Profissão: Repórter”, de Michelangelo Antonioni (1975), tanto o dinamismo estático do fotográfico como a imobilidade activa da imagem sequenciada, enaltecem o perturbador movimento sem termo aparente. Nos sete minutos do plano sequência de Antonioni muito acontece, tanto dentro como fora de plano. O quase imperceptível movimento para a frente transporta quem está a ver para o núcleo de um ciclone que, pela instabilidade que vinha revelando, não augurava um desfecho agradável. Em “Endless”, a linha que percorre a imagem mantém-se perfeitamente nivelada. O suporte da imagem cria uma inesperada ilusão de declive. Ou seja, a instabilidade vem de fora, não está intrínseca como em “Profissão: Repórter”. João Leal

João Leal, Back to Zero, Second, 2007

João Leal, Back to Zero, Second, 2007

Back to Zero

Uma narrativa onde a água se assume como um elemento purificador. Um elemento que permite a regeneração. Existe no universo de “Back to Zero” uma evocação à mítica Atlantis. Já Platão - no incompleto diálogo “Critias”, escrito em 360 A.C. - lhe fazia referência para ilustrar as suas teorias políticas. Atlantis (ou Atlântida) era descrita por Platão como sendo uma cidade que seguiu um caminho pouco auspicioso (tentativa de invasão e conquista de Atenas), que a levou ao castigo capital imposto pelos deuses. Ao contrário de Atlantis, às cidades de “Back to Zero”, é dada uma segunda oportunidade. A profundidade da submersão não impossibilita o alcance da superfície. João Leal

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