Materialização do tempo segundo Timeu, 2010

Materialização do tempo segundo Timeu, 2010

MATERIALIZAÇÃO DO TEMPO SEGUNDO TIMEU

Pintura, acrílico sobre madeira, 100cmx100cm, 2010
O tempo infinito – a eternidade – por vezes metaforizado pelo símbolo de Ouroboros, um ser deforma circular, auto-suficiente, que morde a sua própria cauda simbolizando a forma auto-generativa do círculo, interpretada desde os tempos antigos como a matriz da fórmula dos seres vivos, o sinal representativo de ciclo. Uma gradação de cor, em regeneração de si mesma, e o tampo da mesa, que se tornou uma peça de mobiliário débil, com caruncho, uma mesa que o bisavô do Francisco mandou construir, a partir de uma nogueira do seu terreno, que foi atingida por um relâmpago.

Livro da Sede, 2015

Livro da Sede, 2015

LIVRO DA SEDE

Filme de 16mm transferido para vídeo HD, cor, 2’41’’, loop, 2015

« (...) captação de alguém que folheia um livro com desenhos de figuras que evocam diabretes, faunos, sátiros. Os primeiros, segundo crenças populares, seriam uma espécie de duendes que, durante o Carnaval assustavam pessoas e animais e revolviam as culturas nas terras. Os faunos e sátiros são figuras mitológicas que misturam características humanas e animais. Viviam nos bosques e simbolizam a embriaguez e a exaltação dos sentidos, pelo que recordam os excessos do Carnaval e a indefinição entre homens e bichos que caracteriza este período. As suas silhuetas desenhadas a preto sobre fundo branco do papel recordam um alfabeto, ou ideogramas, ou como assinalam os próprios artistas, experiências visuais, entre a escrita e a pintura, do poeta belga Henri Michaux (1899 – 1984), conhecido pelo recurso a substâncias químicas, nomeadamente mescalina, que alteravam o seu estado de consciência durante o processo de escrita. A “leitura” deste livro é acompanhada no filme pela ingestão de líquidos – um copo aparece e desaparece do enquadra– mento – enfatizando a relação entre sede e instintos bestiais e libertários.» Ricardo Nicolau

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