Isaki Lacuesta

Isaki Lacuesta

Isaki Lacuesta e Isa Campo

Isaki Lacuesta e Isa Campo

INTRODUÇÃO

A Solar – Galeria de Arte Cinemática é, por definição, um espaço de experimentação num campo artístico que se situa entre as artes-plásticas e o cinema, onde, precisamente, se prolongam e reinventam. É neste território que nos encontramos e ao qual regressamos todos os anos, em particular nas exposições que se inauguram sincronamente com o Curtas Vila do Conde. A oportunidade não seria de desperdiçar, até porque o afluxo de público se intensifica, mas, sobretudo, porque se torna possível imaginar uma programação mais completa, articulando a exposição na galeria, com a exibição de um programa paralelo de filmes. Neste contexto, a direção artística da Solar confronta-se com diversos paradigmas, tanto os relacionados intrinsecamente com o trabalho de curadoria propriamente dito, como com outros, mais pragmáticos, como a gestão do calendário de atividades e exposições, este ano mais laboriosa, dada a situação complexa que vivemos. Ultrapassadas algumas das incertezas, resultado do trabalho consequente e resiliente, o regresso tornou-se de novo possível e, curiosamente, tal como refere Jordi Costa, a uma espécie de alquimia, à interseção entre a ciência e à feitiçaria, explorando vários aspetos da vasta e diversificada obra de Isaki Lacuesta. A exposição “O Caso Caligari”, que abriu ao mesmo tempo que o Curtas do ano passado, fazia também reverência ao expressionismo alemão, como de certa forma o faz este mais antigo dos realizadores contemporâneos.
O percurso expositivo estabelece relações diferenciadas entre as obras, de períodos distintos, com início nas primeiras curtas-metragens que aqui encontram uma outra dimensão, de convívio mais direto e intimista com o público, passando por um projeto mais direcionado à projeção multicanal, portanto, específico para o espaço de galeria, culminando nas obras mais recentes, nos quais a interseção com a música é dominante, enquanto peças realizadas para canções. Isaki Lacuesta trabalha muitas vezes em parceria com Isa Campo e em conjunto com diversos artistas de áreas distintas, que emprestam às suas obras um caráter propositadamente ambíguo, assumindo a metamorfose do processo criativo como um processo em si, chamando à equipa de rodagem, por exemplo, uma realizadora de cinema experimental como Adriana Vila Guevara, mas também a cantora Silvia Pérez Cruz, a bailarina e coreógrafa Rocío Molina ou a atriz Alba Flores. Realce, também por isso, para as peças inéditas, recém-concluídas e cuja rodagem foi realizada durante a preparação para montagem da exposição, culminando o seu percurso. .
Paralelamente, o Curtas Vila do Conde exibe quatro das suas longas-metragens, cujo percurso e premiações atestam a sua qualidade, dialogando com o conjunto de obras expostas. O programa completa-se com uma visita guiada e a realização de um debate. Todas as atividades são organizadas, quer na Solar, quer no Teatro Municipal, cumprindo com as normas emanadas pela DGS.

Mário Micaelo

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