Pensão Globo

Matthias Müller, 16mm, cor, 15?, 1997
Oito anos depois do melancólico AUS DER FERNE, Müller volta a Lisboa, a cidade do fado, da saudade, do declínio e dos eus divisíveis. Seguindo o seu protagonista desde o quarto de hotel até às ruas labirínticas, o filme contempla a dissolução e as fronteiras permeáveis entre a vida e a morte em cores sanguinárias e sobreposições estonteantes. The New York Film Festival, cat., 1997

Alpsee

Matthias Müller, 16mm, cor, 15?, 1994
Fotografado com um requintada sensibilidade para os interiores e uma criatividade frenética, ALPSEE encena a entrada na maioridade de um rapaz, o difícil fosso entre a dependência infantil e a individualização da maturidade. Quase sem palavras, Müller progride por analogia e sinédoque, juntando instantes enquadrados de forma precisa dentro de casa e coligindo-os como provas. O esplêndido esquema cromático deste filme e a sua iluminação marcam um corte significativo por parte de Müller com as suas obras mais limitadas dos anos 80. MIKE HOOLBOOM, MILLENIUM FILM JOURNAL, NEW YORK, 1997

Scratch

Christoph Girardet, Betacam, 4?45?,2001
Gira-discos e gramofones de vários filmes a cores e a preto e branco. As bandas sonoras originais foram substituídas pelo ruído da agulha no final dos discos. Uma única rotação é repetida uma e outra vez e a montagem que apenas se percebe cria saltos nos discos (que não aparecem nos filmes originais). O número de rotações é quase idêntico para cada disco o que cria uma estrutura rítmica com a duração média de cada canção ? 4?45??.

Beacon

Christoph Girardet e Matthias Müller , Betacam, cor/p&b, 15?, 2002 (encomenda do Festival Internacional de Curtas Metragens, Vila do Conde)
BEACON é uma montagem de sequências de exteriores filmadas em dez lugares diferentes espalhados pelo mundo. Estes locais estão ligados pelo facto de estarem situados à beira mar. Juntando de forma imperceptível filmagens de documentários de viagens e excertos apropriados de longas metragens, BEACON produz um lugar único e imaginário. Ecos distantes de histórias sobre o mar misturam-se com a trivialidade do turismo de praia dos dias de hoje. Com a sua colagem de lugares de esperança e os seus sedutores panoramas do mar, BEACON parte numa viagem sem destino específico.

Mirror

Christoph Girardet e Matthias Müller , 35mm, cor, 8?, 2003
Uma mulher, um homem, convidados numa festa. Ambientes gradualmente abandonados, as sobras de um evento, olhares que perderam o seu objecto. MIRROR cria uma imagem atmosférica do ?estar entre? - esfera anónima entre o pertencer e o isolamento. ?As personagens de uma tragédia, o ar que respiram, os ambientes são por vezes mais absorventes do que a tragédia propriamente dita, como o são os momentos antes e depois, quando o enredo se encontra numa pausa e o diálogo é silenciado.? (Michelangelo Antonioni)

Feberrot / Fever Red

Christoph Girardet, Betacam, 3?20?,1993
Protagonistas femininos acorrentados extraídos de filmes de terror dos anos 50 e 60 são privados do aparato narrativo dos seus papéis. Technicolor. Lábios vermelhos, unhas que se enterram, um peito que se move para cima e para baixo ao ritmo da respiração. A colagem em série torna-se irónica. Um diálogo entre mulheres-objecto algemadas começa. A comunicação, que no início aconteceu apenas sob a forma de olhares, torna-se cada vez mais intensa. O resultado desta montagem acelerada é a transformação dos gritos das mulheres numa orgia final de berros.

Manual

Christoph Girardet e Matthias Müller , Betacam, cor, 10?, 2002
Este filme mistura grandes-planos de tecnologia obsoleta tirados de séries de ficção científica americanas dos anos 60 com uma voz feminina procedente de um melodrama de Hollywood dos anos 40. MANUAL faz colidir o distanciamento absoluto com a emoção magnificada. Com o seu registo minucioso de um sem fim de botões, interruptores e painéis de controlo e a sua coreografia de uma linguagem corporal mecanizada, MANUAL reduz qualquer noção de que a vida pode ser manejável ao total absurdo.

Phoenix Tapes

Christoph Girardet e Matthias Müller , Betacam, cor/p&b, 45 min., 1999
PHOENIX TAPES mostra excertos remontados de 40 filmes de Alfred Hitchcock. Os seis capítulos centram-se numa selecção pessoal dos vários leitmotifs dos filmes de Hitchcock. ?A consequência desta opção passa não só pelo realçar das obsessões de Hitchcock com certo tipo de movimentos repetitivos e com simbologias de grande carga visual mas também pela sugestão de que estas acções são parte de uma linguagem gestual universal que compreende formas de comunicação tanto cinematográficas como quotidianas. John Tozer, "Notorious. Alfred Hitchcock and Contemporary Art," Camera Austria, Vienna 1999, p.79

© 2019 Curtas Vila do Conde