Christoph Girardet

Christoph Girardet

Matthias Müller

Matthias Müller

Müller & Giradet <br />
no 10º Curtas Vila do Conde<br />
2001

Müller & Giradet
no 10º Curtas Vila do Conde
2001

Uma das prioridades da Solar, galeria de arte cinemática, é proporcionar a Vila do Conde e ao país um espaço permanente de exposição e apresentação de obras de artistas nacionais e estrang eiros que expressem uma forte ligação ao imaginário do Cinema. Fotografia, vídeo, artes plásticas, música e, sobretudo, a interacção destas linguagens com o universo cinematográfico, serão objecto de apresentação neste espaço único no plano nacional. A qualidade do trabalho de Christoph Girardet e Matthias Müller e a sua forte ligação ao Curtas Vila do Conde, Festival Internacional de Cinema, constituiu uma das fontes de inspiração para este projecto, contribuindo assim para a sua génese e como arranque da programação da Solar.
Girardet e Müller, nascidos respectivamente em 1966 e 1961, têm vindo a desenvolver um trabalho exemplar na fronteira do Cinema com a Vídeo Arte. Em 1991, Girardet iniciou a sua carreira artística numa área que se identifica mais com a Vídeo Arte. Müller, por seu lado, começou o seu trabalho artístico com a realização de filmes experimentais em 1993. Numa primeira fase de trabalho individual, entre 1991 e 1998, ambos utilizaram o found footage como elemento fundamental do seu processo criativo. Müller utiliza-o num cinema experimental com forte carga poética e autobiográfica e Girardet ao serviço de uma linguagem mais cerebral, baseada na repetição e na montagem. Conheciam-se desde esse período mas apenas em 1999, a propósito de uma encomenda de trabalho comissariada pelo MOMA Oxford para a exposição ?Hitchcoock and Contemporary Art?, é que viriam a realizar o filme/instalação ?Phoenix Tapes?, o primeiro trabalho em conjunto. Este projecto esteve na origem de uma parceria que desde então, embora continuem a desenvolver trabalhos individuais materializados em filmes e exposições, resulta no desenvolvimento de uma série de projectos em colaboração. Ao longo dos últimos quinze anos os seus filmes têm sido apresentados regularmente nos principais festivais de cinema do mundo, entre os quais destacam-se Cannes, Veneza, Berlim, Locarno ou Roterdão. Paralelamente são frequentadores assíduos de alguns conceituados festivais e mostras de carácter específico como, Oberhausen, Vila do Conde ou Clermont-Ferrand. O seu trabalho tem sido também exposto em museus e galerias de grande reputação internacional, como o Moma de Nova Iorque, ou a Tate Modern em Londres, e faz hoje parte de grandes colecções públicas como o Centre Georges Pompidou de Paris. Os materiais utilizados nos seus trabalhos em vários suportes, vídeo, cinema ou fotografia, têm origem em diversas fontes, com especial incidência em found footage, coleccionado por ambos ao longo de vários anos, e filmagens dos próprios em Super8, 16mm ou vídeo. Na produção dos seus filmes, vídeo instalações ou exposições, revelam uma vontade incessante de revisitar o vasto arquivo de que dispõem, de o reutilizar e de, por outro lado, acrescentar novas pesquisas. O trabalho desenvolvido por Girardet e Müller assemelha-se muitas vezes ao de um Dj que, através da utilização de fragmentos de músicas de outros autores em conjugação com novas sonoridades remisturadas, concebe o seu universo musical pessoal e, ao mesmo tempo, reinventa o seu processo criativo. O imaginário do cinema de Hollywood, os inúmeros home movies anónimos ou as pesquisas de carácter autobiográfico, compostos de forma sublime através da montagem e da sua articulação com o som, são alguns dos elementos mais marcantes e mágicos da sua obra. Müller e Girardet, quer nas peças individuais quer nos trabalhos em colaboração, revisitam as memórias do Cinema, desenvolvendo estéticas pessoais centradas no carácter evolutivo da linguagem audiovisual e numa perspectiva consequente: é nos peças mais recentes, a maioria das quais patentes na Solar, que atingem o clímax desse envolvimento criativo, interrogando-nos sobre o nosso próprio olhar sobre o Cinema, através da apropriação das matérias primas e/ou dos processos da realização cinematográfica. Pelos seus percursos, por um lado atestam ter sido inventores de novos processos dialogantes que revelam um posicionamento crítico eficaz e que conferem às suas revisitações um carácter único, por outro lado, atestam também o seu forte contributo para a dinâmica evolutiva da linguagem audiovisual. Revisitations foi a primeira exposição dos dois autores em Portugal, preparada ao longo de quatro meses em colaboração directa com os autores, numa lógica de adaptação ao espaço da Solar. Para além da selecção de uma série de trabalhos individuais e em colaboração, inéditos no nosso país, a dupla concebeu propositadamente três novas peças destinadas a esta apresentação na também nova galeria de Arte Cinemática. A acompanhar esta exposição foi exibido um ciclo paralelo de cinema que incluiu algumas das mais importantes curtas metragens realizadas pelos dois, uma oportunidade única para conhecer os seus mais recentes trabalhos, ou também para revisitar o início sua obra.

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