"Mona Lisa Dissolution"

Mona Lisa Dissolution

DVD Loop, 2'00'', 2004
O sorriso reanimado das imagens da Internet. ?A Obra de Arte na Era da Reproduo Tcnica.? (Walter Benjamin) Como o cinema um meio reproduzido e reproduzvel, tratar/editar e usar material existente (found footage) sem dvida um procedimento adequado e imanente ao meio. A ideia da singularidade da obra de arte tem de ser abandonada. A reproduo tcnica conquistou o seu prprio lugar enquanto poltica artstica. O original j no intocvel. Ao reutilizar imagens, existe a possibilidade de quebrar a ordem dominante atravs da demonstrao de que toda a ordem apenas uma das variantes possveis. (Siegfried A. Fruhauf) Mona Lisa Dissolution o ttulo de uma produo que sujeita um Velho Mestre da Pintura ao retalhar da maquinaria de manipulao de imagens. As imagens dos filmes de Fruhauf, que parecem estar ligadas de forma to slida, esto em perigo de se perderem nelas prprias.? (Stefan Grissemann)

"Sun"

Sun

DVD Loop, 4'30'', 2003
Olhamos o sol nos olhos com msica nos ouvidos. A msica de Attwenger. A faixa chama-se SUN, uma litania cantada com um forte sotaque da Alta ustria, fala de um dia quente no qual olhamos para o sol at tudo ficar vermelho e o corpo celeste incandescente parecer uma pistola ou um olho. O vdeo que acompanha este nmero dinmico e intenso foi feito por Siegfried A. Fruhauf, que sucedeu o eclipse solar de Realtime (2002) com outro estudo csmico. Sun ? que no necessariamente tpico do gnero ? composto por uma dzia de planos estticos com pouco ou nenhum movimento. O assunto principal quer do vdeo quer da letra da cano o mesmo. Mas isto no se torna imediatamente bvio: Num zoom lento e invertido, o brilho intenso que enche a imagem revela-nos gradualmente que se trata do sol rodeado por uma luz brilhante de tom amarelo esverdeado. Mas as imagens traem um pouco e a montagem econmica segue o ritmo vacilante e potente da msica. A imagem faz desvios mnimos da letra e joga com eles de forma invulgar, por exemplo ao fornecer um contraponto azul quando o texto da cano fala da cor vermelha. A imagem permanece uma superfcie de projeco: O objecto redondo e branco poderia ser o tambor que se ouve mais tarde. Assemelha-se luz que se v ao fundo de um tnel escuro ? ou a de um cano de pistola ? depois torna-se uma imagem trmica ou um reflexo numa superfcie aquosa, negra como a noite. Olhamos o sol nos olhos e iniciamos as nossas associaes livres. (Isabella Reicher)

"Exposed"

Exposed

2 DVD Loops, 2'45'' e 2'30'', 2001
Traduzido literalmente ?Exposed? significa ?tornar algo visvel? ou ?descoberto?. Na fotografia significa sujeitar o filme luz. Exposed usa uma cena curta de uma longa metragem ? um homem observa uma mulher a danar atravs do buraco de uma fechadura ? como matria prima. Apenas fragmentos deste quadro so visveis para o espectador, e Fruhauf ?re-expe? a cena fazendo passar as perfuraes da pelcula de um filme em frente ao projector de forma a parecerem uma peneira em movimento. Embora o stencil em movimento nos permita ver apenas partes da cena, o padro voyeurista da narrao repetido na nossa prpria percepo. J no se pode contar com o sentido da vista e por isso o fascnio ampliado. Fruhauf tambm quebra o movimento planeado no filme original ao nvel temporal. A aparente irregularidade dos campos de luz que perscrutam a pelcula so justapostos com um ritmo extremamente preciso e que segmenta a cena. Cenas sucessivas muitas vezes variam pouco mais do que um grau mnimo. A progresso muda de forma nfima mas regular, tal como acontece com um disco riscado. O novo movimento do filme portanto um palimpsesto de vrias camadas: uma cena determinada segmentada e remontada de uma nova maneira, e o espao dentro do frame transformado num prisma em movimento. Em conjunto com a banda sonora (rudo branco crescente e decrescente, pingos e sussurros), o estudo de Fruhauf sobre o ver e o ser visto, a luz e o movimento? noutras palavras, o cinema ? tem um efeito quase hipntico. (Maya McKechneay)

"Phantom Rides"

Phantom Rides

Instalao por Horst Scheibck, Rudolf Pointinger, Siegfried A. Fruhauf (wunderkinder) 3 DVD Loops, 2003
Os irmos Lumire inventaram o cinema. No seu tempo no se podia contar com a percepo colectiva da mesma forma que hoje em dia. Para que seja possvel perceber o movimento das imagens como uma iluso, os espectadores tinham de recorrer a formas de percepo j suas conhecidas de maneira a poderem decifrar a forma de movimento. A oportunidade para uma mudana nos mtodos de percepo foi criada pelos caminhos de ferro. Pela primeira vez, o movimento deixou de ser percebido atravs do prprio corpo mas apenas atravs do olhar pela janela do compartimento, olhar esse dirigido a uma paisagem com a qual no existe contacto directo. Se as janelas forem substitudas pelo ecr, o olhar pela janela pode ser visto como uma antecipao da experincia do cinema. Por essa razo, o comboio foi um dos motivos mais frequentemente usados nos primeiros filmes dos irmos Lumire. Muitos filmes foram filmados das janelas dos comboios, e mais tarde, a cmara foi efectivamente montada no cimo da locomotiva e as chamadas Phantom-Rides foram filmadas desta forma. Esta instalao vdeo tenta estabelecer as ligaes que existem entre a cmara dos irmos Lumire e a locomotiva. O movimento das mquinas da locomotiva leva a um movimento acelerado na sala. (Horst Scheibck)

"Time Lapse"

Time Lapse

Instalao Projeco de slides
Verde: avanar. A gravao inicial marca o comeo do filme; A seguir comea uma tempestade de luz. Uma imagem emerge, enquanto outra desaparece. No tem princpio nem fim. Os frames vermelhos marcam o fim e fazem desaparecer a iluso. A histria do filme contada entre estes dois plos, a biografia do material. A apresentao do filme acrescenta os sons da projeco, a escurido da sala e o branco do ecr. Em Time Lapse de Siegfried A. Fruhauf s resta o vazio, o tempo suspenso. A interpretao e reflexo do espectador transformam o invisvel, o ausente, na recordao de uma unidade cinemtica comum. Alfa e mega, nas cores dos semforos, so aqui mostradas como lpide, um memorial luminoso aos ltimos vestgios do material. Vermelho: Parar. (Holger Jagersberger)

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