Cave

Em 1999 comecei a escrever um guião para uma curta-metragem com o título provisório, Pain. Falava de uma mulher jovem cuja vida quotidiana se vê interferida por visões subconscientes que destroem a sua realidade. No final, usei apenas a última cena desse guião. O filme acabou por se chamar Lasso, e foi o meu último trabalho para a Academia de Belas Artes na Finlândia.
Quatro anos mais tarde, terminei Cave (2000 – 2003), um trabalho composto por três curtas. Lasso (2000), Thriller (2001) e Cave (2003) mostram cenas fictícias da vida de uma mulher, da sua juventude e idade adulta. Irei mostrar estes filmes na X-Rummet (Statens Museum for Kunst, Copenhaga) pela primeira vez como uma obra só numa instalação vídeo.
Enquanto fui estudante, desenvolvi o interesse pela relação entre a imagem em movimento e a realidade. Intrigava-me a natureza imaterial do cinema e do vídeo e a sua capacidade para se assemelharem à realidade e aos seus elementos, tais como os sonhos e as memórias. Pensei que o cinema podia ser parte da experiência pessoal e da memória e guiar a concepção que uma pessoa tem de si própria e do mundo.
Em Lasso, abordei os Westerns, que adorava quando era juvem, com o seu código de valores simplista que me recordava a sociendade em que vivia. Emocionavam-me as questões que estes filmes levantavam sobre o poder e o tipo de papeis que as mulheres tinham e a forma como os desempenhavam. Thriller, um filme de terror sobre uma rapariga na transição para a idade adulta e Cave, um filme de ficção científica terminado dois anos antes, eram também, tal como Lasso, influenciados pelo mundo do cinema, cuja organização interna estudei nos meus trabalhos.
Queria filmar em 35mm para conseguir imagens o mais nítidas e intensas possível.
Cada fase de produção requeria uma equipa de 20-40 pessoas. Os filmes foram filmados por Samuli Saastamoinen. As minhas conversas com Samuli na fase de escrita de guião, as visitas aos locais onde íamos filmar e os seus storyboards, influenciaram profundamente as imagens e a forma como estão ligadas. A paisagem sonora desenhada por Janne e Ville Jankeri tem um papel igualmente importante nos filmes, que não têm diálogos. Os filmes são produzidos por Aino Halonen, que ajudou a transformar as minhas ideias impossíveis em realidade.

Salla Tykkä
Exposição X-Rummet
Copenhaga

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