Drive in, Miguel Palma, 2011

Drive in, Miguel Palma, 2011

Acerca da densidade e do movimento na obra de Miguel Palma

Escultor de objetos cinemáticos, Miguel Palma, através das suas obras, materializa um desejo enunciado por Boris Groys quando, num texto de 2002, On the New, responde à sua própria pergunta “Why does art want to be alive rather than dead?” referindo a intenção dos artistas contemporâneos de superar as construções históricas, abstratas e mortas do passado. Miguel Palma pertence a esta geração de artistas. Ele produz simultaneamente uma realidade em movimento e interpela-nos numa sucessão de imagens que gerem a impressão de contínua e viva atualização. Num círculo de ritmos repetitivos e infindáveis, à semelhança do efeito loop das experiências videográficas e de certo cinema experimental, representam-se simultaneamente o desfecho e o começo. Não podemos também esquecer que na origem dos seus trabalhos está uma imagem mental. Antes de ser realizada, a escultura é ideia, imaginação visual, e só depois é concretizada, cristalizada numa forma definida. Projetadas a duas e a três dimensões, as imagens de Miguel Palma são, como frequentemente lembra, resultado de um investimento intuitivo e de uma experiência de interação temporal e espacial com a complexa e densa realidade.(1)

(1)Excerto do texto "Acerca da densidade e do movimento na obra de Miguel Palma" de Sandra Vieira Jürgens publicado no catálogo Miguel Palma: Densidade, editado pela Solar no âmbito desta exposição.

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