Light is Calling

Light is Calling

Release

Release

Outerborough

Outerborough

Bill Morrison<br />
photo: Clayton James Cubitt

Bill Morrison
photo: Clayton James Cubitt

instalação (projeção vídeo, loop)

Light Is Calling· EUA · 2004 · 8'
Uma cena retirada de uma cópia deteriorada do filme de James Young "The Bells" (1926) foi impressa usando tecnologia óptica e reeditada para a composição de 7 minutos de Michael Gordon. Uma meditação sobre a natureza das colisões aleatórias.

Release · EUA · 2010 · 13'
No dia 17 de março de 1930, uma multidão reunida no exterior da Philadelphia's Eastern State Penitentiary espera conseguir presenciar a saída da prisão de Al Capone (na verdade, tinha sido libertado na noite anterior). O cineasta Bill Morrisson e o compositor Vijay Iyer transformam um único plano panorâmico dessa cena, bem como a correspondente faixa de áudio, num filme panorâmico em ecrã dividido com som surround que se repete a si prórpio, criando um transe de 13 minutos sobre a natureza do espetáculo e dos espetadores.

Outerborough · EUA · 2005 · 9'
Em 1899, um operador de câmara da American Mutoscope & Biograph montou a sua câmara na frente de um trolley enquanto viajava pela Brooklyn Bridge. Três bobines com cerca de 27500 metros foram fundidas para completar a viagem entre Manhattan e Brooklyn. Como foi filmado com uma bitola de curta-duração de 68mm, o filme só foi apresentado ao público dos nossos dias quando, recentemente, o British Film Institute o restaurou em 35mm. Numa encomenda para a reabertura do Museum of Modern Art em 2005, Morrisson utilizou estas imagens notáveis e recombinou-as com elas próprias para criar ema extrapolação em ecrã dividido em Cinemascope.

The Creature's Education (excerpt from Spark of Being) · EUA · 2010 · 8'
"Spark of Being" (68’, 2010) é a versão de Morrisson do clássico da literatura "Frankenstein" de Mary Shelley, compondo uma nova história de reanimação utilizando imagens de documentários em arquivo editadas para recontar a história da apropriação de uma vida presente no romance de Shelley e configurada numa banda sonora original tocada por Dave Douglas e Keystone. "The Creature's Education" é um excerto retirado desse filme, no qual a Criatura aprende sobre o mundo através de uma compilação de filmes educacionais danificados pela água.


O tempo é um aspeto central em todo o cinema – a ilusão da forma de arte é, afinal, baseada em fragmentos de segundos, atirados numa rápida sucessão – mas o constante movimento do tempo, a inexorável marcha da história, é especialmente inevitável nos filmes de Bill Morrison. Na sua obra, a passagem do tempo surge em diferentes aspetos: simultaneamente como um processo histórico que segue a evolução da humanidade através da história e como uma força autónoma e existencial da qual toda a matéria, viva ou não, é vítima. Quer seja tratando a marcha do tempo como forragem para uma narrativa da história humana ou como um processo irreversível de fluxo e decadência, os filmes de Morrison utilizam vestígios de imagens danificadas descobertas ao longo do nosso passado cinemático, tentando ambiciosamente lutar contra o próprio conceito ambíguo de “tempo”.

A Poetic Archaeology of Cinema: The Films of Bill Morrison
por Matt Levine


Nos últimos vinte anos, Bill Morrison construiu uma filmografia de mais de trinta projetos apresentados em teatros, museus, galerias e salas de espetáculos em todo o mundo. Para o seu trabalho usa normalmente imagens raras de arquivo no qual o imaginário cinematográfico esquecido é reenquadrado como pertencente à nossa mitologia coletiva. Os filmes de Morrison são elementos da coleção do Museum of Modern Art, do The Nederlands Filmmuseum e da Library of Congress. É bolseiro do Guggenheim e recebeu o Alpert Award for the Arts, bolsas da NEA Creativity Grant, Creative Capital e ainda da Foundation for Contemporary Arts. O seu trabalho com o Ridge Theater foi reconhecido com dois prémios Bessie e um Obie Award.

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