MONTANHA EM SOMBRA

HD / 16:9 / cor / 14 / 2012

Um olhar contemplativo sobre a montanha coberta de neve e a atividade dos esquiadores nela.
A vastido do espao contrasta com a insignificncia que as pessoas aparentam, quase invisveis distncia. Partindo da neve branca, a imagem do filme torna-se cada vez mais escura, transformando o espao em algo irreal, como um sonho, e espectral. Aproximando tambm a sua aparncia da imagem de um modelo artificialmente iluminado, onde os esquiadores so meros pontos na distncia, esquiando num movimento hipntico. A imagem tambm por vezes aplainada, perdendo toda a sua profundidade numa abstrao pictrica. Este jogo com a perceo das escalas, onde a imensido da montanha acaba por se confundir com a viso de um microscpio, vai crescendo com o desenvolvimento do filme. Este tratamento tambm permite a observao da paisagem como uma experincia tctil: enfatizando a textura da neve, confundindo a sua matria e as dimenses do espao. Experienciando a paisagem como algo tangvel: uma viso tctil.
Mas por fim, a viso que propomos identificada de alguma forma com uma possvel viso da montanha a partir do cume, observando os homens a esquiar pelas suas encostas como insetos na pele de um animal.

A IMAGEM ARDE

HD / 16:9 / cor / 30 / 2013

A Imagem Arde disseca o movimento de um fogo, analisa as suas formas efmeras e transforma-as com o som para enriquecer o significado das imagens. A Imagem Arde comea como uma reflexo sobre a nossa percepo e transforma-se numa intensa interao entre as partes, entre as imagens e o espectador. Ns olhamos para o fogo e o fogo olha para ns. Statement do realizador Vendo cada imagem o que ns devamos questionar a ns prprios como que ela olha (para ns), como que ela pensa (de ns) e como que ela (nos) toca, tudo ao mesmo tempo.(Georges Didi-Huberman). A imagem o espelho. O espectador encara a imagem no seu tempo de reverberao. O som permite-nos ler a imagem do fogo em diferentes nveis. Som e imagem trabalham em intervalos de tempo e layers diferentes. Fogo apenas tempo acelerado Koldo Artieda

NA VIBRAO

HD / cor color / 12 / 2012

Nada to estimulante como a atrao do abismo
Jules Verne

Uma viagem atravs da paisagem primitiva, onde podes observar diferentes processos de formao da Terra: campos de lava, vulces, cascatas, giseres tudo extremo na sua violncia e dimenso. O ser humano, insignificante, oprimido e excludo deste processo.
Sempre observadas distncia, as figuras humanas exploram esta geologia elementar, esta paisagem zero. Somos tambm testemunhas de turismo para as reas naturais. A energia emergindo da paisagem confronta-se com uma certa vulgarizao do lugar pelo turismo de controlado e de massas. a natureza como espetculo.
Este projeto estruturado como um dptico. "Na vibrao da Terra centra a sua ateno no movimento e na energia libertada pela terra nas zonas vulcnicas. Na vibrao da gua explora o espao de uma cascata, onde vemos a queda da gua nas suas diferentes reaes com a luz. Partindo sempre de uma pesquisa contemplativa e potica.

A MORTE A TRABALHAR

Videoinstalao. 2013.
Vdeos em loop, folhas de papel e linha.

Os espelhos so portas atravs das quais
A morte vem e vai. Olha para ti e olha para toda
a tua vida num espelho e tu vais ver a morte a trabalhar
Jean Cocteau ("Orpheus")

Este projeto surge da ligao existente entre face, identidade, memria e morte. A obra consiste num conjunto de retratos video onde vemos uma pessoa a olhar para si prpria num espelho, reconhecendo a sua prpria face. Em cada vdeo a pessoa est a executar a ao introspetiva de relembrar diferentes momentos da sua vida. Assim, enquanto se identifica nas caractersticas da sua face, tambm reconstri a sua identidade atravs da memria. Estas imagens mentais do tempo passado trazidas para o presente provocam uma coliso, e uma maior percepo da passagem do tempo. Este projeto procura focar a ateno e evocar estas imagens escondidas da memria.
A imagem distorcida da face que estamos a observar cria um paralelo com a imagem distorcida que a memria nos oferece, sublinhando tambm a ideia de uma pintura em movimento. A projeo em papel suspenso no ar contribui para a mesma procura de um resultado pictrico, atribuindo imagem uma grande fragildade e luminosidade, numa presena espectral.

Os espelhos deviam refetir um pouco mais antes de devolver a sua imagem
Jean Cocteau

O CORPO VAZIO

Vdeo instalaes. loop. 2009
Material: Metacrlico, fio plstico, espelho. Material: methacrylate, plastic thread, mirror.

No a vida mas a morte a vibrar
Edmond Jabes
Esta obra centra-se na representao de um estado algures entre a vida e a morte. proposto como um lugar onde existe uma perda de conscincia. A morte acabou de alcanar-nos e o nosso corpo esvazia-se de vida. Este instante crucial no qual a nossa existncia chega ao fim, o que tentamos registar no seu voo. A luz da vida atravessou-nos e deixou-nos inertes. Estamos num lugar eterno, etreo e voltil.
O projeto O corpo vazio consiste em diversas instalaes vdeo que podem funcionar separadamente. Os materiais usados so espelhos e folhas de metacrlico suspensas no ar com fio plstico, que so atravessadas pelo feixe de luz do videoprojetor. Tem tambm som, uma msica de frequncia muito baixa que refora a ideia de limbo.

ESTRATOS DA IMAGEM

Vdeo instalao.
HD / 16:9 / cor / 230 / 2014

As cores so o esforo da matria para se tornar luz
D'Annunzio

O projeto procura refletir sobre a imagem e a sua experincia contemplativa a partir de fatores como tempo, cor e movimento. Focamos a nossa viso na relao humano-paisagem, vendo-a em duas dimenses temporais: o geolgico e humano. Esta definio sintetiza bem o conceito do projeto: A paisagem so nveis de tempo condensados numa imagem. Procuramos fundir diferentes nveis temporais numa nica imagem, propondo duas linhas de explorao: enfatizar a passagem efmera e transitria do homem no territrio; e convidar a uma lenta contemplao, revelando a poesia e o mistrio dos movimentos da paisagem. Para desenvolver esta ideia plasticamente executamos uma alterao subtil da imagem. A tcnica envolve a separao e dessincronizao das trs camadas de cor (vermelho, verde e azul) que formam todo o espectro cromtico das imagens audiovisuais. inspirado pelos primeiros estdios de fotografia a cores do fsico escocs Clerk Maxwell, que em 1861 criou a primeira fotografia a cores usando a unio de trs filtros vermelho-verde-azul. Partindo deste processo procuramos criar reflexes sobre a relao homem-paisagem e, de uma forma mais ampla, sobre o ato de ver e o proceso de formao da imagem. O fluxo temporal do eu, disperso por centenas de gotas coloridas, como gua de uma cascata luz solar Octavio Paz

NO MOVIMENTO DA PAISAGEM

HD / cor / 9 / 2012
A vastido, intimamente nascida num sentimento de xtase, dissolve e absorve de algum modo o mundo sensvel
Gaston Bachelard

A figura humana, imvel, situa-se numa paisagem que se desenvolve vendo diante de si, em volta. No um ambiente esttico, a paisagem descoberta nas suas mudanas subtis: a sombra do fumo no solo, a nvoa revelando uma montanha, uma espiral na areia O homem, de costas para ns e paralisado, convida-nos a contemplar na intimidade e em detalhe, os processos de mudana no ambiente natural. A cmara tambm permanence imvel, a paisagem que se move.

Permanece imvel e observa o mundo a mover-se
Carlos Oroza ("Cabalum")

PAISAGEM-DURAO

HD - minDV / 16:9 / cor / 4 / 2009-10

A evaporao ou a centralizao do eu. Tudo est l.
Charles Baudelaire

O projeto estuda a relao entre observador e paisagem numa experincia contemplativa. Uma abordagem sensorial paisagem a partir da perceo instrospetiva. Comeamos com os fatores externos do espao e tempo no ambiente para ir mais alm nas experincias da conscincia temporal e espacial.
Na viso de uma vasta paisagem os sentidos alteram-se. Uma experincia de sublimao. A imagem mental da paisagem submete-se a uma metamorfose. O espao real distorcido, o tempo flui de um modo diferente, pra na nossa conscincia. a relao entre o instante mximo (a dure de Henri Bergson) no qual a intensidade da experincia faz a imagem da paisagem expandir-se, leva tempo e conduz catarse. A imagem nestas obras modificada aplicando tinta e vaselina num filtro que fica entre a paisagem e o alvo, obtemos assim a subjetivao do olhar e o efeito de distoro da realidade.

PAISAGEM-DISTNCIA

HD / cor / 16:9 / 4 / 2010-11

Estudo da relao entre observador e paisagem na experincia contemplativa. A viso que constri a paisagem a partir da distncia necessria. A delimitao das suas fronteiras contra o contnuo total da natureza. O observador mergulhado no percurso do seu olhar fixo sobre a paisagem. Parando o olhar nos detalhes que constroem a globalidade. A viso seleccionando o espao includo como uma paisagem.
Aproximamo-nos de detalhes invisveis aos nossos olhos, figuras que desparecem medida que nos movemos em direo a elas, diludas no espao. Partes que se integram no todo da paisagem. O remoto como desparecimento. A figura humana trai-nos, pequenos insignificantes aqui na vastido do territrio, a voracidade do vcuo ativo que o envolve. Imagens produzidas na regio do Atlas em Marrocos.

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