Efeito Orla


Mariana Caló e Francisco Queimadela Portugal, 2017, instalação vídeo de 2 canais, 14’40’’, loop

Efeito Orla trata-se de um ambiente instalativo que evoca o espectro do lince ibérico, através de uma construção imagética que vai ao encontro de locais habitados por este animal e pela sugestão cinética da sua presença - descrita como evasiva e quase invisível, que "não se vê, intui-se". Ouvem-se relatos de avistamentos partilhados na primeira pessoa, episódios maioritariamente violentos, associados ao seu desaparecimento.

Atraídos pelo imaginário colectivo em torno da figura do lince ibérico, viajámos pelas imediações da Serra da Malcata, por terras que assistiram ao seu desaparecimento nas últimas décadas.
As descrições do lince retratam um animal evasivo e quase invisível, que “não se vê, intui-se”. A mitologia vincula-o ao segredo e à revelação de verdades ocultas, à clarividência, ao mundo dos mortos, à fronteira dos lugares proibidos ao Homem, ao sol e à luz.
Em Efeito Orla, evocamos o espectro do lince indo ao encontro de locais que habitou e de relatos de avistamentos partilhados na primeira pessoa, episódios maioritariamente violentos, associados ao estado atual de preservação e ao risco eminente de extinção. Nesta instalação, composta por duas projeções síncronas e justapostas, procurámos estabelecer uma relação constante entre a verticalidade e a gravidade, o céu e a terra, entre micro e macro escalas, induzindo estados que oscilam entre a vontade de contemplação e um estado de alerta - um sentimento de emergência que associamos ao desaparecimento do lince. Conduzimos uma construção imagética que vai ao encontro da atmosfera onde se passam as histórias, mas que é fugaz, que se camufla, acompanhando a cadência do dia até ao anoitecer. Interessou-nos introduzir também elementos de deslocação que contrastassem com o peso das palavras, ora para evocar um desdobramento do sentido das imagens, ora para realçar aspectos análogos à fisiologia e simbologia do lince.
A ideia de trabalhar com discos ópticos surgiu cedo no processo. Estes elementos foram desenhados e registados em locais onde ocorreram alguns dos avistamentos e são referentes a noções de aparição, ilusão, deslumbramento, camuflagem e velocidade, os quais relacionamos com a ideia de uma presença invisível que continua a orbitar.

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