Film Ist. (1-6)

Film Ist. (1-6)

Film Ist. (7-12)

Film Ist. (7-12)

Mariage Blanc

Mariage Blanc

Welt Spiegel Kino

Welt Spiegel Kino

Film Ist. (7-12)

Film Ist. (7-12)

Welt Spiegel Kino

Welt Spiegel Kino

Quando, em Agosto ltimo, a vtima de rapto de 18 anos, Natascha K., de Viena, conseguiu fugir aps 8 anos de isolamento da sua cave-priso e se dirigiu numa carta aberta ao pblico mundial como ela prpria o chamou e aos representantes dos media, estes mostraram-se surpreendidos pela sua abertura ao mundo e de como estava bem informada uma vez que desde os seus 10 anos de idade no frequentou nenhuma escola. Quando se disponibilizou, trs semanas aps a sua fuga, para responder s perguntas de um jornalista numa entrevista televisiva, os media ficaram mais uma vez surpreendidos com a sua atitude confiante e independente e da forma to natural como se apresentou aos meios de comunicao internacionais aps todos estes anos de isolamento. Para alm do seu raptor, os meios de comunicao uma rdio e um jornal eram as suas nicas fontes de informao, os seus nicos espelhos do real, reflexes da realidade alm da sua cela. Os media, eram escolhidos e censurados pelo seu malfeitor: a vtima podia ouvir apenas um programa de rdio a uma determinada hora do dia, tratava-se do canal mais conceituado da radiodifuso austraca, e podia ler apenas certos artigos do jornal, tambm o mais prestigiado da imprensa austraca, que ele tinha seleccionado. No se pode deixar de pensar, apesar de ou precisamente por causa do trgico deste crime terrvel, num acontecimento de dimenses mitolgicas. O que Natascha K. sentiu no prprio corpo assemelha-se encenao da Alegoria da Caverna de Plato: os presos numa caverna, com os olhos fixos numa determinada direco e acorrentados desde o nascimento, vem apenas as sombras de objectos projectadas numa parede, provocadas pela luz de uma fogueira, enquanto estes so transportados pelos seus guardas, e consideram estas a realidade. O psiquiatra que, a seu pedido, a acompanha contou que ela o cumprimentou como um velho conhecido, embora nunca antes se tenham visto: conhecia-o dos meios de comunicao. Com os lucros das vendas dos direitos da sua histria, Natascha K. quer criar uma fundao que tenha como objectivo apoiar a preveno para casos de rapto similares, por exemplo os raptos, maus tratos e a srie de assassinatos de mulheres no Mxico, que se tm registado nos ltimos 13 anos: ela tomou conhecimento deste facto pelos media. Para alm de todas as questes de natureza psicolgica, sociolgica, socio-poltica e sexual que este caso criminal levanta, colocam-se ao mesmo tempo questes relativamente ao significado, funo e poder dos media hoje em dia. Plato antecipa na sua famosa Alegoria da Caverna uma discusso sobre os media que continua at hoje. Imagem ou realidade, ser ou parecer esta questo fundamental da percepo e interpretao do nosso mundo, e desta forma tambm da nossa existncia, tornou-se o ponto fulcral para as investigaes, invenes e criaes de geraes de artistas e cientistas. Luz e sombra, reflexo e reflexo, miragens e fenmenos visuais eram os temas aos quais se dedicaram geraes de desenhadores, pintores, fotgrafos e cineastas, assim como mdicos, fsicos, psiclogos e filsofos de ambos os sexos. Compreendo o meu trabalho de cineasta e artista audiovisual como uma continuao destas investigaes, perguntas e aproximaes sobre as questes fundamentais da percepo, do registo e da interpretao do nosso mundo. REFLECTIONS o ttulo desta exposio remete em duas vertentes para o essencial do meu trabalho: o significado dos audiovisuais como espelho do mundo e o conflito com a fenomenologia dos prprios media. FILM IST., WELT SPIEGEL KINO, INTERNATIONALER SENDESCHLUSS, trabalhos apresentados nesta exposio, do nfase a esta orientao. Todos estes trabalhos so pensados como um work in progress, como uma srie de ensaios para a aproximao pessoal s diferentes formas, tipos de funcionamento e de efectividade dos media audio-visuais open end. No se trata de formar uma teoria, de respostas, de definies, trata-se de demonstrar a variedade, tentativas de analisar os media audiovisuais com os seus prprios meios, e trata-se, sobretudo, como escreve Alexander Horwath, director do Museu de Cinema austraco, na introduo para FILM IST.(1-6), ...de iluminar a ideia vaga de que nenhum outro procedimento que produz conhecimento to vivo e aberto e imaginativo como o cinema. ODYSSEY TODAY e MARIAGE BLANC so dois trabalhos dedicados a um dos temas mais importantes do nosso tempo e do nosso mundo: a migrao, a fuga, a movimentao contra a prpria vontade, mas tambm o turismo em massa, o encontro com o estranho, o conflito com o desconhecido. Em nenhuma altura da evoluo do homem houve, num mundo fisico e virtual, um maior encontro de pessoas de diferentes origens, culturas e religies e esta a nossa oportunidade. O estranho existe quando se cria em mim a conscincia da minha diferena, e deixa de existir quando ns todos nos reconhecemos como estranhos, escreve Julia Kristeva no seu livro Fremde sind wir uns selbst (Estranhos somos para ns prprios). Enfrentamos, ento, o espelho dos media para que nos tornemos estranhos para nos prprios. Gustav Deutsch, Outubro de 2006

Comissariado: Nuno Rodrigues Organizao e produo: Curtas Metragens CRL, Nuno Rodrigues, Mrio Micaelo, Miguel Dias, Dario Oliveira, Lus Urbano Equipa de Produo: Davide Freitas, Pedro Cardoso, Pedro Maia, Jorge Barbosa Apoios e divulgao: Hugo Ramos, Raquel MoreiraContedos website: Adriana Castro Design Grfico:Andr Cruz @ drop Alto Patrocnio: Cmara Municipal de Vila do Conde www.cm-viladoconde.pt Ministrio da Cultura/ Instituto das Artes www.min-cultura.pt/ www.iartes.pt Apoio: Embaixada da ustria www.bmaa.gv.at Colaborao: Instituto Politcnico do Porto, Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Plataforma Revlver, Cinemateca Portuguesa, Passos Manuel Divulgao: Premiere, Arte Capital, Rdio Foz do Ave, Rdio Linear Agradecimentos: Sixpackfilm, Film Museum Amsterdam, Kiritan Flux [Jalla Jalla] www.kiritanflux.de

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